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SUBCULTURAS: RESIGNIFICAÇÃO E REAPROPRIAÇÃO: como o mesmo significa outra coisa... 



"É dando que se recebe.” Essa frase tem significados diferentes se for dita por um monge franciscano, por um político ou por uma meretriz. Ou seja, o mesmo elemento estético (no caso, texto ou fala) pode ter mais de um significado. Mas não qualquer um: esse significado depende do restante da frase e de quem a enuncia.

            De forma semelhante o símbolo suástica (ou swastika) é originalmente um símbolo religioso comum em várias culturas da ásia. Nos anos 30 século XX, porém, ela foi reapropriada e resignificada pelo regime nazi-fascista, tornando-se no ocidente símbolo deste regime, descolado do primeiro sentido. Posteriormente, nos anos 70 do século XX, neo-nazistas e punks se reapropriam e resignificamda suástica, mas com sentidos diferentes: os primeiros no mesmo sentido dos nazistas originais, enquanto alguns punks se apropriam do símbolo como elemento de choque, buscando explorar o fato de que apenas 30 anos depois do final da segunda guerra mundial a suástica provocava choque, repulsa e ódio à qualquer inglês.

            Acontece da mesma forma com a formação de culturas como a Brasileira (construída a partir de elementos de diversas outras)  ou subculturas como a Gótica, a Hip-Hop, a Punk, a Hippie, etc. Esses elementos estéticos, sejam símbolos ou estilos musicais, sejam estilos de roupa ou compartametos, etc, podem ter seu sentido original reforçado ou alterado, dependendo por qual sistema cultural ou subcultural for reapropriado e resignificado.

RESIGNIFICAÇÃO X HOMOLOGIA:

          Homologia e resignificação são dois processos diferentes mas que convergem dinamicamente na bricolagem que constitui todas as culturas e subculturas vivas, assim como qualquer sistema estético vivo.
            É um processo sem começo e sem fim, podemos apenas escolher o momento histórico em começamos a observá-lo. Mas dentro de recortes históricos bem definidos os significados são bastante bem indentificáveis dentro de seus contextos.

  
OUTROS EXEMPLOS:

            Na subcultura Gótica o símbolo Ankh foi resignificado reapropriado a partir da religião Egipcia antiga e a partir do significado que tudo que é egípcio ou oriental adota como símbolo de fantástico e não-europeu desde o romantismo. No caso deste símbolo temos um deslocamento de sentido: o sentido original ligado à imortalidade é reforçado e reforça outros símbolos sobre a questão vida/morte na subcultura Gótica.

            O mesmo acontece com itens de vestuário e estilos musicais. Um estilo musical ou ítem de vestuário podem aparecer em mais de uma subcultura com significados diferentes. Por isso não adianta analisar apenas o elemento isolado para tentar entender seu significado em uma cultura ou subcultura.

            O mesmo elemento pode aparecer ainda descolado de qualquer contexto como produto de alguma moda passageira.

            Por isso o significado do discurso estético de uma cultura ou subcultura deve ser buscado na relação ativa entre seus vários elementos reapropriados e resignificados, e não apenas nas “profundezas” de um desses elementos isolados.

            Como na frase do começo desse texto, não adianta apenas saber tudo sobre o verbo “dar”: sem análise dos outros elementos da frase e também da posição e interesse de quem fala a frase, não chegaremos jamais ao significado da frase. O enunciador é tão significante quanto o contexto e a frase.

Seja qual for a “frase”.

H. A.  Kipper, agosto 2011

 
Referências:
- Subculture: The Meaning of Style- Dick Hebdige-1979
- Linguagem e Ideologia- J. L. Fiorim- 1998

- A Happy House in a Black Planet: Introdução à subcultura Gótica- H. A. Kipper- 2008
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