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“DIVINA DECADÊNCIA”: ESTÉTICA CABARET E FETICHISTA NA SUBCULTURA GÓTICA

por Flávia Flanshaid e H. A. Kipper

"Divina decadência!" é uma frase repetida pela personagem Sally Bowles, interpretada no filme Cabaret por Liza Minelli.

“O musical "Cabaret" (1972) inspirado na obra de Chritopher Isherwood resgata e glamoriza o tema, mas a corista vamp interpretada por Liza Minelli agora usa botas combinando com a meia arrastão, o corpete, a cinta-liga e chapéu coco, uma Louise Brooks atualizada. Patrice Bollon (...) comenta que este musical e o filme geraram uma moda em Londres que influenciou um novo grupo: O Bromley Contingent, do qual emergiria, entre artistas do pos-punk, a diva Siouxsie Sioux. Siouxsie aparece como uma Liza Minelli pós-punk, atualizando o espírito decadentista dos cabarés da Belle Èpoque, dos anos 20 e da Cabaret Culture alemã. De fato as cenas glam, punk e wave e pos-punk beberam sequiosamente de toda essa tradição "vaudevillesca" e "decadentista", sintetizando seus significados em estéticas para o fim-de-século e milênio.” (Kipper, 2008)

Algo forte na cena gótica desde sua origem é o fetichismo e referências à “cabaret culture”. Fetichismo, neste sentido, é uma opção estética. Mesmo o visual S/M é muitas vezes uma opção fetichista. Diferente da cena S/M, por exemplo, onde o visual indica diretamente uma opção sexual.

Boa parte do preconceito contra góticos vem da não compreensão desse item do fetichismo e de nossas referências culturais.

Logo, na cena Gótica, uma mulher ou homem pode se vestir de forma fetichista porque acha bonito. Isso não quer dizer que esta pessoas esteja procurando parceiro sexual e, se estiver, não quer dizer que vai deixar de exercer sua liberdade e autonomia de escolha e seleção. A pessoa pode ter saído para dançar e exercer sua liberdade de usar o visual que bem entender.

Muitas pessoas usam visual "cabaret" ou "sexy" (bem feito, claro) na cena Gótica por prazer estético, ou fetiche, sejam casadas, solteiras ou virgens. Mas isso não implica comportameto X ou Y. Esses visuais fazem parte do nosso repertório visual (opcional tanto para mulheres como para homens).

Lembrando algumas referências estéticas na origem da subcultura Gótica: além do filme Cabaret de 1972 que já citamos, quase na mesma época The Rocky Horror Picture Show (1975, dirigido por Jim Sharman) faz o elo entre o imaginário glam e os clichês do cinema de horror. B e romance gótico.  Não podemos esquecer ainda das referências a Theda Bara (1910's), Louise Brooks (1920's/30's) e Maila Nurmi (1950's), entre outras.

É importante não confundir o uso estética fetichista na subcultura Gótica com opção sexual. Bandas como Bauhaus, Siouxsie, Die Form, Specimen e outros exploraram visuais fetichistas (ver fotos abaixo). Essas influências são fortes também no visual Gótico masculino, como acompanhamos desde a década de 1980.

Assim, dizer que uma festa gótica com referências burlescas ou dark cabaret está incitando vulgarização, comercialização ou prostituição, ou que mulheres que usam esse tipo de visual estão se prostituindo, demonstra além de falta de conhecimento de referências que formam a estética da subcultura gótica, também preconceito e machismo.

Para saber mais sobre o assunto, leia também o texto  20- DECADENCE AVEC ELEGANCE: BEAUTIFUL LOSERS e visite nossa seção de DIVAS, DIVOS e VISUAIS.

IMAGENS citadas no texto:


Liza Minelli como Sally Bowles (1972)


The Rocky Horror Picture Show (1975)


The Bromley Contingent (aprox. 1976)


Peter Murphy, vocalista do Bauhaus (1979-1983)


Johnny Slut, do Specimen, no clube Batcave (1982/83)


Liza Minelli como Sally Bowles (1972)


Siouxsie (1980's) x Theda Bara (1910's)


Siouxsie (1980's) x Louise Brooks (1920's)

Agosto 2011

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